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Concluídos treze anos sobre o início do processo de Salvamento de Bracara Augusta. num contexto em que persistem equívocos e remedeios, e se perfilam inesperadas ameaças sobre os solos onde jazem os vestígios da cidade romana, a Unidade de Arqueologia considerou oportuno divulgar um documento de síntese sobre a história do projecto, e sobre os diversos vectores que o constituem. incluindo questões de ordem jurídica e urbanística.
Destruição e abandono são, inequivocamente, as palavras que mais frequentemente se ouvem quando se fala em Patrimonio Cultural. A persistencia da sua utilização, a par da pouco habitual referência a protecções, recuperações, revitalizações e estudos, só pode significar que a situação não se tem alterado. O património arqueológico não escapa ao panorama geral, e proteger continua a ser a angustiante preocupação quando, pelo contrario, se deveriam concentrar todos os esforços na investlgação, recuperação e revitalização de sítios, monumentos, colecçõoes, museus. etc.
No inicio de 1989 propusemo-nos, no âmbito de um projecto apresentado à Câmara Municipal de Braga, que o aprovou e financiou integralmente, efectuar o levantamento arqueológico do concelho de Braga. Concebeu-se a sua execução em duas fases: uma primeira, recentemente concluída, correspondeu à inventariação e cartografia de sitios e achados arqueológicos referenciados em inúmeras publicações dispersas, ordenando-os e classificando-os de acordo com critérios pre-estabelecidos; uma segunda fase, actualmente em curso, orienta-se para a prospecção de sítios arqueológicos, tendo por base o inventário elaborado na primeira fase (porque permitiu definir zonas de potencial arqueoIógico), a análise de fotografia aérea e de cartografia temática, a toponimia e prospecções de campo.
A conservação sistemática e intransigente dos sítios e solos arqueológicos e um imperativo das nações europeias. Actualmente já não se aceitam as destruições acidentais ou voluntárias do património arqueológico. Nos Estados modernos existem leis e organismos que protegem e gerem os valores arqueológicos. A opinião pública adquiriu uma extrema sensibilidade no que concerne a conservação.
O conferencista eé sempre, ainda que o nao explicite, um construtor de discursos, através dos quais veicula mensagens, sempre condicionadas pela sua condição e identidade, pelos assistentes e, simultaneamente, pelas condições históricas e sociais do momento. Pretendo com esta afirmação ultrapassar o lugar comum de que os factos, no caso presente, a História e a memória de Bracara Augusta, devem ou podem falar por si, devendo o autor abstrair-se da sua subjectividade.
O título desta conferência - Bracara Dives, capital da Callaecia - é o ponto de abertura para as ideias que pretendemos apresentar. A expressão Bracara Dives encontra-se num texto clássico do século IV d. C., texto redigido em forma poética por um letrado de Burdigala (Bordéus), de nome Ausónio, e que se intitula Clare Urbis, o que pode ser traduzido como "As cidades ilustres". Quanto a Braga, o autor cita-a do seguinte modo: "quaeque fini pelagi jactat Bracara Dives", o que pode ser lido, em versão livre, do seguinte modo: "junto às praias do mar Bracara orgulha-se da sua prosperidade (ou riqueza)".
As primeiras descrições da muralha romana de Bracara Augusta datam do século XIII. Em finais desse século o cronista árabe Ibne Abd AI-Hunim AI-Himiari, baseado no geógrafo AI-Brak (seculo XI), cita as poderosas defesas da urbe bracarense, que compara a Mérida: "Esta cidade de Braga, que remontava à Antiguidade, foi uma das fundações dos romanos e uma das suas residências reais. Assemelhava-se a Mérida pela solidez dos seus edíficios e ordenação das muralhas. Está hoje quase inteiramente destruída e deserta: foi demolida pelos muçulmanos que expulsaram a população ... " (COELHO 1989).
Bracara Augusta foi fundada na última década do I milénio a.C., na divisória das bacias dos rios Cávado e Ave, a igual distância dos rios Minho e Douro, no centro de um populoso espaço, a meio caminho entre o litoral e as montanhas, que delimitam um vasto anfiteatro natural. Sede de conventus iuridicus pertencia à Tarraconensis, tal como Lucus e Asturica. Mais tarde seria capital da Callaecia, província estabelecida no reinado de Diocleciano. No Baixo Império terá sido uma extensa urbe, com poder episcopal desde o século IV (385 d.C.). Em 411 foi conquistada pelos Suevos, de cujo reino foi a cabeça. Em 456 foi saqueada pelo Visigodos dirigidos por Teodorico II. 0 breve reino suevo terminou em 585. Todavia, durante os séculos VI e VII a sua importância como centro religioso, sede metropolitana da Callaecia persistiu, tendo sido o local ...
Em 1995, na sequência da tomada de posse do Governo socialista, foi criado o Ministério da Cultura, dotado com uma estrutura orgânica específica, na área do património cultural. Posteriormente foram criados dois organismos: um com estatuto de Instituto Público, o IPPAR (Instituto Português do Património Arquitectónico); outro o IPA (Instituto Português de Arqueologia), direcção de servicos autónoma, directamente dependente do Ministro da tutela.
Ao longo de mais de três décadas, primeiro como vogal da Comissão Instaladora da Universidade do Minho depois como Vice-Reitor, Reitor e, finalmente, como Presidente do Conselho Cultural da UM o Professor Lúcio Craveiro da Silva foi um apoiante inabalavel do Salvamento e Estudo de Bracara Augusta. Nos momentos de maior incerteza nunca duvidou do valor do projecto, garantindo a sua continuidade. Esteve sempre presente nas sucessivas conferências, normalmente realizadas no Museu Nogueira da Silva, em que se divulgavam as descobertas arqueológicas. Lia atentamente todos ao artigos sobre a Arqueologia de Braga, publicados quer nos Cadernos de Arqueologia, quer na Revista Forum. Orgulhava-se do contributo decisivo da Universidade do Minho para o estudo e conservação dos vestígios de uma das grandes cidades da Hispania e do Império. No entan...
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